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Respostas do webinar no PMI São Paulo

Michel Moisés Cruz, PMP: Q: Com a nova e tão falada geração de valor, que preza principalmente pela qualidade de vida, como efetuar o mínimo de planejamento se o cliente quer a entrega para ontem e a empresa não te da o mínimo de tempo para você executar o planejamento? Melhor perguntando, como NÃO fazer isso pós-horário de trabalho? 

Resposta Eli:

Olá Michel, para fazer um diagnóstico precisaria visitar sua empresa, entender em que mercado ela atua, que poder de negociação ela tem em relação aos clientes e fornecedores, avaliar os concorrentes (5 forças de Porter), que produtos/serviços comercializa, qual o modelo de precificação, se está fazendo uma estratégia de marketing adequada (os Ps do marketing), se está atuando comercialmente de forma eficiente  etc.

Como infelizmente isso não vai acontecer, vou te dar a resposta-padrão: Existem empresas de todos os tipos, aquelas que trabalham de forma mais cadenciada, as que viram noites, as que fazem bons projetos e as que fazem maus projetos. Isso depende tanto de fatores externos (como o mercado), quanto de fatores internos (como a maturidade de gestão), mas de qualquer forma são apenas pessoas tentando acertar.

Se a sua empresa não te dá tempo para fazer sequer um planejamento, tem algumas opções: a) Ou você prepara um padrão de projeto para reduzir seu tempo de planejamento, atuando como um PMO; b) Ou você difunde as boas práticas de gestão em reuniões, relatórios etc, o que leva tempo; c) Ou a terceira e mais fácil, você pode simplesmente trocar de emprego. Garanto que nem todos os lugares são iguais e que há um lugar que encaixará certinho no que você busca.

Fadel Matta: Q Deixar alguns entregáveis para uma fase posterior não é o que o Scrum propõe? Para ir encantando o cliente com entregas palpáveis e rápidas ?

Resposta Eli:

Oi Fadel, gostei da pergunta!

Seguinte, através do Scrum se pode desenvolver um produto de forma interativa e incremental. Ou seja, você apresenta partes do produto em cada ciclo, permitindo que o cliente faça ajustes. Em seguida, você parte para a próxima interação, incrementando mais funcionalidades no produto.

Quando me refiro ao erro “Isso vai ficar para uma segunda fase!”, quero dizer que é problemático quando planejamos um projeto que não contempla a totalidade de seus requisitos. Ou seja, o escopo está pela metade só para cumprir o prazo, sem se importar com o “passivo” deixado para trás.

Rodrigo Santiago: Q: qual é mesmo o nome do livre que ele comentou sobre os encantamentos?

Resposta Eli:

Olá Rodrigo, acredito que você se refira ao livro sobre técnicas de persuasão. Se for, o nome é “As armas da Persuasão”.

Rogério Kdouk: Q. Eli, pelo que entendi você gerou listas de lições aprendidas em diversos projetos,  detectando o fato ocorrido, as consequências e para finalizar, a solução.

Resposta Eli:

Não apenas projetos, mas principalmente nas aulas do curso preparatório para o PMP.

Edgar Lee: Q a quebradeira prevista das empresas da cadeia de produção da Petrobras pode ser considerado um erro?

Resposta Eli:

Olá Edgar,

Acredito que cadeia produtiva de uma empresa do porte da Petrobrás seja bem mais complexa que um erro de projeto.

Jefferson: Q: Eli, acredito que você tenha levantado outros erros além dos 21.  Existe algo mágico atrás do número 21 e, se existem outros erros, há intenção, se tudo der certo, de um segundo volume do livro ?

Resposta Eli:

Jefferson, o número 21 faz alusão ao jogo dos sete erros. Acredito que caiba sim um segundo volume, ainda há muita coisa para documentar. Abro à contribuição da comunidade!

Jose Goncalves: Q- Destes erros de gestão de projetos qual você considera o mais nocivo e deve ser evitado ? Por que ?

Resposta Eli:

Deve depender do cenário, mas no meu caso, faço de tudo para evitar qualquer erro que envolva o escopo. Por que? Porque sem saber o que deve ser feito todo resto tende a desmoronar.

Rogério Kdouk: Q. Qual área de conhecimento é a maior responsável pelos erros clássicos?

Resposta Eli:

Oi Rogério, obrigado pela pergunta.

Na verdade, o livro fala de comportamento, não das áreas de conhecimento: Comportamentos do gerente de projetos, da equipe e da empresa.

Bruno Pacheco da Silva: Q: qual seria a melhor estratégia para demonstrar capacidade técnica e intelectual para a diretoria?

Resposta Eli:

Olá Bruno,

Sem dúvida, a melhor forma para mostrar capacidade é o resultado.

 

Ana Dumont: Q: Como a comunidade de gerenciamento de projetos pode criar uma sensibilizacao geral  junto aos tomadores de decisao que o tempo demasiado alongado na tomada de decisao pelo inicio ou compra do projeto compromte o prazo disponivel para planejamento e entrega.?

Resposta Eli:

Olá Ana,

É difícil falar e ser ouvido, por isso, prefiro sempre usar a Estatística. Se você conseguir mostrar para os decisores que estão realmente perdendo tempo ou dinheiro por uma razão, certamente mudarão seus comportamentos.

Tonyfer: Q: por que é que, diante de todos esses erros, as empresas não aprendem a investir mais no gerenciamento de projetos? as empresas que não investem, ou que não dão o devido valor, não deviam ser eliminadas, como num processo de seleção natural? Diante disso, fica difícil acreditar na real eficiência do gerenciamento de projetos.

Resposta Eli:

Tony,

Curti bastante a ideia da “seleção natural”…rs.

Na verdade, isso já está acontecendo! Na maioria dos casos não chega a ser tão drástico ao ponto de falência, mas as empresas reduzem de tamanho, demitem pessoas, perdem clientes etc. Não chega à falência porque uma empresa não vive apenas de projetos, sempre há contratos operacionais que suportam o fluxo de caixa.

A grande questão é que não basta seguir o PMBOK para ter projetos bem sucedidos, foi isso que tentei mostrar com o livro, é preciso ter uma atitude responsável para sistematizar a melhor forma de trabalho para cada empresa, um bom assunto para um próximo livro talvez rs.

Danilo Martins, PMP: Q: porque você acha que os erros se repetem independente do setor ou ramo de atividade em que está se  realizando um projeto?

Resposta Eli:

Porque os projetos são realizados por seres humanos e, no fundo, somos todos iguais, independente do ramo, geografia, etnia, religião etc.

Acho até muito curioso que o ser humano, de uma forma geral, tenta ser mais esperto que os demais, mas acaba repetindo os comportamentos dos outros. Um bom exemplo são os aglomerados das grandes cidades, o trânsito, os concursos públicos, as faculdades lotadas em determinados assuntos e vazias em outros. Nosso comportamento é sempre comparativo sobre os demais e é essa conformidade social que nos faz repetir também os erros.

Valdemiro Froehlich Junior: Q: o tratamento adequado das lições aprendidas não reduziriam estas reincidencias de erros?

Resposta Eli:

Com absoluta certeza, Valdemiro! Essa é exatamente a ideia do livro, suprir o medo que as pessoas têm de compartilhar as lições nas empresas.

Valdiana: q: o que é goldplating

Resposta Eli:

É quando o gerente de projetos faz coisas que não estavam no escopo (a mais) para tentar agradar ao cliente.